A primeira vez que ouvi falar de Harry Potter foi por indicação de leitura de uns amigos que, desde bem pequenos, moravam em Londres. Todo ano, na época de Natal, eles vinham ao Brasil e, numa dessas, conheci ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’. Eu tinha 12 anos e não dei a mínima para esse papo de bruxos e universo fantástico.

Pouco depois, durante alguns dias de verão na casa da minha melhor amiga, em Maresias, tropecei no mesmo livro e, percebendo a euforia com o que a madrinha dela (sim, uma adulta!) falava da história e dos personagens, resolvi dar uma chance ao órfão de cicatriz na testa.

Para bem dizer a verdade, eu mal sabia da trama. Mas eu adoro ler na praia, então, uni o útil ao agradável e não foi muito difícil de entrar no livro.

Ler Harry Potter é muito curioso. A história – a grosso modo – nada mais é do que a luta do bem contra o mal. Um clássico. Mas é envolvedor. As cartas que invadem lareira. O gigante desajeitado que vem buscar o estranho menino debaixo do quarto da escada. A alegria pueril de comemorar um aniversário nunca antes celebrado. A surpresa juvenil de descobrir que você não é o que pensou a vida inteira ser… Mas o que roubou o meu coração para a eternidade foi a lista de material de Hogwarts!

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Ainda neste mesmo verão, estávamos eu e todos os meus amigos no meu sítio e, enquanto eles varavam a noite ao redor do tabuleiro de War, eu varava a noite devorando os livros de Harry Potter, que haviam me fisgado de vez.

Daí em diante, não parei mais! Li um livro atrás do outro, sem parar: chorei compulsivamente a morte de Dumbledore (e eu quase nunca choro por nada!), sofri a Batalha de Hogwarts, quis ser uma bruxa tão forte e determinada quando Gina, torci pelo amor de Ron e Hermione…

Screenshot_20170626-230611Não sou uma leitora da geração Harry Potter, pois eu sempre fui leitora. Mas vi muitos leitores se formarem e crescerem junto com Harry, Ronie e Hermione. Para aqueles que afirmam que quem lê Harry Potter não adianta ou seria melhor não ler nada… bom, são 20 anos de história que provam o contrário. Os leitores do bruxinho tomaram gosto pelo hábito da leitura e já está mais do que provado empiricamente que da literatura infantojuvenil eles migraram para outros livros, outros gêneros e outros autores.

Mas além de uma geração de novos leitores no mundo inteiro, J.K. Rowling abriu as portas para uma infinidade de possibilidades editoriais: A Saga Crepúsculo e Jogos Vorazes, por exemplo, certamente devem seu sucesso ao bruxinho antecessor.

Isso sem contar as referências históricas, literárias e de senso moral (diferenciando o bem do mal) – que ajudam a formar o caráter de criança e adolescente.

Harry Potter legitimou o jeito geek: ser nerd passou a ser cool; deu espaço a uma geração de jovens e adultos que não encontrava seu lugar no mundo; criou uma nova maneira de permitir ser quem é, gostar do que gosta.

E não podíamos esquecer, é claro, da fábrica de dinheiro que essa ‘história boba’ acumula até o dias de hoje: os filmes, os parques – QUE EMOÇÃO! -, as roupas, acessórios, bonecos etc etc etc!

Harry Potter cresceu e se fortaleceu em mim! E contagiou a todos ao meu redor: as pessoas gostam de lembrar de mim quando o assunto é HP e eu adoro ser lembrada por este motivo!

Minha história começou na praia e terminou tatuada no meu braço. Porque eu admiro muito a maneira linda com que J.K.Rowling transformou a relação humanidade x livros na sociedade contemporânea. E serei eternamente grata por isso! ALWAYS.

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