Confira os lançamentos, feiras e eventos literários que acontecem ao longo do ano!
Fique por dentro das vagas para trabalhar no mercado editorial!

Alex Mandarino, autor da trilogia ‘Guerras do Tarot’, fala sobre esta nova trama da literatura nacional

A Avec Editora lança, no fim do mês de junho, o livro O Caminho do Louco, o primeiro volume da série Guerras do Tarot. “É uma trilogia e poderia ser chamada de thriller conspiratório”, explica o autor carioca Alex Mandarino, que falou ao Blog No Mundo Editorial sobre sua estreia como romancista, sobre o livro e seus personagens, sobre a dificuldade de ser um autor nacional e muito mais.

caminho_do_louco_capa_completa

Mandarino tem uma trajetória profissional de causar inveja aos aspirantes do livro. Depois de trabalhar durante 12 anos como jornalista de cultura e tecnologia, largou as redações para escrever ficção e fazer música eletrônica. Atualmente, é o editor da revista literária Hyperpulp e, desde os anos 1990, vem criando beats e samples com seus projetos musicais Chip Totec, Phunk Phreak e Terra Incognita.

Foto: Natacha Lopez.

Foto: Natacha Lopez.

Mas sempre dedicou-se à escrita. Além de tradutor, Mandarino possui diversos contos publicados, como A Aventura do Penhasco dos Suicidas, Hiriburu, O Círculo de Ossos, O Rabo da Serpente, FastForward/Rewind e The Eye That Ate the Sky (este lançado em inglês na antologia Miseria’s Chorale).

Porém, mesmo com este currículo invejável, O Caminho do Louco, é o trabalho de estreia de Mandarino como romancista. “Há um certo preconceito ainda contra o autor nacional, preconceito que precisa ser superado”, conta ao instigar: “o leitor terá pela frente um mundo riquíssimo, com diversas possibilidades narrativas, cheio de surpresas e lances inesperados e com personagens cativantes”.

Leia abaixo a íntegra da entrevista com o Alex Mandarino.

No Mundo Editorial — Do que se trata a série Guerras do Tarot? Quantos volumes terá no total? Qual o perfil dos personagens? 

Alex Mandarino — A série mostra a trajetória de um brasileiro, o jornalista carioca André Moire, que se cansa da vida rotineira e joga tudo para o alto, saindo em viagem pelo mundo. Em meio a essas viagens ele acaba encontrando um grupo secreto cujos membros incorporam as características dos arcanos do tarot.

Eu aproveito a variedade existente nos arcanos maiores e menores para retratar personagens das origens as mais diversas, representando assim não só as diferentes etnias, nacionalidades, gêneros e faixas etárias, mas também os variados aspectos da psique de cada um de nós. E isso em meio a uma história carregada de mistério, suspense e conspirações. O leitor poderá encontrar figuras como o Mago, que é um imigrante haitiano vivendo em Paris; a Sacerdotisa, que é uma escocesa que vive em uma cabana isolada junto a uma floresta nas highlands; a Imperatriz, que é uma bilionária que vive em uma vila na Riviera Francesa; entre diversos outros, como o Superintendente Ciaran, que traz a alguns trechos do livro um clima de romance policial.

É uma história com diversos ritmos e estilos que, espero, formam um todo coeso e interessante. Gosto de alguns autores da chamada literatura de gênero e de outros da literatura moderna e contemporânea e acho que o livro pode agradar a esses dois públicos.

NOME — Cada livro da série se passa em um cenário diferente. Por que isso acontece?

AM — Na verdade os três livros se passam em diversos lugares. Neste primeiro, O Caminho do Louco, acompanhamos a viagem de André Moire, o Louco, por locais como Copacabana, Floresta Amazônica, México, Paris, Riviera, interior da Inglaterra. Mas há cenas com outros personagens passadas em Roma, Londres, Munique e outros locais. A ideia inicial era utilizar os arcanos do tarot como personagens.

Virou um thriller com elementos místicos por este ser um formato que apresenta a elasticidade necessária para a boa representação de arcanos tão diversos. E acabou virando um “road movie” literário, com cenas em vários pontos do plamneta, porque me pareceu mais natural que estes arcanos, refletindo sua diversidade, vivessem em locais separados. E porque adoro viajar.
O segundo livro, que se chamará O Laço do Enforcado, se passará em locais diferentes, e o mesmo acontecerá na conclusão da trilogia, A Noite do Julgamento. Mas o mundo do Tarot é bem rico e permite que eu o explore em contos isolados, quadrinhos e até mesmo novos romances após essa trilogia inicial. Quem sabe onde as cartas podem levar?
Aliás, devo apresentar novos contos passados neste universo no site oficial do livro, em www.guerrasdotarot.com. Onde, aliás, o leitor pode ler o prólogo completo do livro e ter uma ideia da história e dos diferentes estilos narrativos que uso.

NOME — Os livros trazem ilustrações especiais. Como surgiu dessa ideia?

Ilustração: Fred Rubim.

Ilustração: Fred Rubim.

AM — Foi uma ideia que surgiu assim que comecei a escrever o livro, anos atrás. Com personagens baseados em arcanos de um baralho de tarot, me pareceu natural (e divertido) que tivéssemos cartas retratando estes personagens. Assim a coisa formaria um ciclo completo e teríamos, após algum tempo, um novo baralho de tarot.
Para minha grata surpresa a Avec Editora adorou a ideia e ainda por cima convidou para ilustrar as cartas um desenhista cujo trabalho eu já conhecia e gostava muito, o Fred Rubim (das graphic novels O Coração do Cão Negro e Le Chevalier, ambos publicados pela Avec).
O livro tem muitos aspectos místicos, como magia do caos, ruínas, druidismo, além do próprio tarot, claro. Mas era importante que o livro, como objeto final, não parecesse um livro esotérico de não-ficção. O traço pop e expressivo de Fred Rubim caiu como uma luva para as cartas e este aspecto pop subversivo foi amplificado pelos capistas, os excelentes Vitor Coelho e Leandra Lambert. Vitor, aliás, também fez uma diagramação primorosa para o livro, que, por si só, para mim já vale a compra da edição impressa.

NOME — Esta não é a sua primeira obra publicada, mas é o seu primeiro romance. Por que você resolveu entrar no gênero de ficção?

Mago

Ilustração: Fred Rubim.

AM — Sim, é o meu primeiro romance. Antes dele eu tive alguns contos publicados, como a Aventura do Penhasco dos Suicidas, relato de mistério que aborda um Sherlock Holmes nonagenário e aposentado, publicado na coletânea Sherlock Holmes – Aventuras Secretas. Também tive publicado o conto Hiriburu (finalista do prêmio Argos 2013), na coletânea Caminhos do Fantástico; e o conto The Eye That Ate The Sky, publicado em inglês na coletânea norte-americana Miseria’s Chorale. Hiriburu, aliás, para minha alegria, será publicado em alemão ainda este ano.

Eu sempre adorei ler e escrever histórias, desde muito pequeno. Gosto de dizer que fui alfabetizado pelo Hulk: aprendi a ler aos dois anos e meio, graças aos quadrinhos da Marvel que minha mãe lia para mim. Eu pedia que ela acompanhasse com o dedo o texto que estava lendo, para eu saber em que quadrinho ela estava, e acabei juntando as letras e os fonemas. Um belo dia eu li antes dela um dos balões, uma fala do Hulk. E a partir daí não parei mais de ler: indo da Marvel para Monteiro Lobato e dele para Edgar Allan Poe, Alexandre Dumas, Oscar Wilde, Jack Kerouac, Machado de Assis, Agatha Christie, William S. Burroughs, Rubem Fonseca, Alan Moore, Alejandro Jodorowsky, Patricia Highsmith, Grant Morrison, J.R.R. Tolkien, Clarice Lispector, Elmore Leonard, William Gibson, Ursula K. LeGuin, Junot Diaz, são muitas as variações possíveis de histórias, de estilos, de formas narrativas.

E uma boa narrativa não está presente apenas nos livros, mas também em filmes, boas séries de TV, num bom game de adventure. Até mesmo a música é narrativa, cada tom e nota suscita um clima. O cérebro humano precisa transformar o mundo em narrativa.

Ilustração: Fred Rubim.

Ilustração: Fred Rubim.

NOME — Quais as dificuldades de entrar neste universo do romance nacional?

AM — Há muita dificuldade em ser um autor nacional. A principal delas é o espaço ainda limitado, tanto do meio editorial quanto na área das resenhas críticas (espaço esse que diminuiu ainda mais na última década). E há um certo preconceito ainda contra o autor nacional, preconceito que precisa ser superado. Temos um histórico de ótimos autores, na “alta” literatura e na recente literatura de gênero.

Aliás, uma das coisas que me estimulam a escrever é tentar borrar esta distinção, que acho artificial. O que chamamos de “alta” literatura hoje em dia nada mais é que um dos vários gêneros: a história realista modernista. A história da literatura universal se mescla à história do fantástico. É besteira isolar estes dois aspectos em áreas distintas, porque não é assim que a natureza humana funciona. Nós precisamos do fantástico, do bom fantástico. Não vejo porque a “alta” literatura não possa conter elementos fantásticos e tampouco porque uma história fantástica não possa ter ambições literárias.

NOME — O que o leitor pode esperar desta nova trama e destes personagens?

AM —  Acho que é um livro que pode agradar a públicos bem variados: homens e mulheres, de diversas idades. Do leitor de 15 anos que gosta de quadrinhos da Vertigo e Image ao jogador de RPG e videogames; do público afeiçoado ao misticismo e tarot ao leitor de thrillers e interessados por conspirações; do leitor de autores beatniks e fã dos experimentos literários formais ao amante de narrativas ágeis de séries como The Wire e Penny Dreadful; do fã de livros policiais ao amante de romances de autodescobertas pessoais e psicodelia.

O livro aborda aspectos místicos com um pé bem fincado no nosso mundo. Acima de tudo, acho que a leitora ou leitor terão pela frente um mundo riquíssimo, com diversas possibilidades narrativas, cheio de surpresas e lances inesperados e com personagens cativantes. É o que espero.


Sobre o livro

Gumarcardor_frenteerras do Tarot – Vol. 01: O Caminho do Louco
Avec Editora
Autor: Alex Mandarino
Editor: Artur Vecchi
Diagramação: Vitor Coelho
Ilustrações: Fred Rubim
ISBN: 978-85-67901-54-1
Preço: R$ 39,90
Formato: 16×23 cm | Papel: lux cream 70g
Número de páginas: 296
Categoria: Trilher; Conspiração; Oculto

Clique aqui para fazer o download e ler o prólogo do livro.

Pré-venda exclusiva, com marcador de páginas especial, na Livraria Saraiva.

 

1 Comentário

  1. Talita Camargo

    23 de junho de 2016 at 15:39

    EBA!!!! que bom que gostou!!! 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

*