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‘Dois Irmãos’ desperta o pior em todos nós

Não sei se fui influenciada pelas chamadas da nova minissérie da TV Globo, que estreia na segunda-feira, 09/01/17; ou se pela beleza indiscutível de Cauã Reymond, que interpreta os protagonistas gêmeos – Me julguem, rs! – mas o fato é que comecei o novo ano decidida a ler o mais famoso dos romances de Milton Hatoum: ‘Dois Irmãos`.

Essa decisão veio de uma determinação de ler menos best-sellers e menos livros referentes ao meu dia a dia profissional, e mais clássicos da literatura mundial e nacional. Tenho um repertório imenso pela frente e, como expliquei acima, a minissérie foi o empurrãozinho que eu precisava.

Estava a trabalho na Livraria Cultura da Avenida Paulista e aproveitei para comprar o livro publicado pela Companhia das Letras. Optei pela versão da Companhia de Bolso, que é menor, mais leve e… mais barata, rs! Mas o enredo é exatamente o mesmo, e nesta versão, o livro ainda vem com uma luva da minissérie: tem Cauã-Omar e Cauã-Yakub para guardar em casa, com toda a beleza e ódio que lhes envolve.

Li o livro em apenas dois dias. A trama é pesada, triste, cheia de amargura; mas é envolvente e traz à tona o pior de nós. Parece paradoxal, mas é impossível parar de ler!

A narrativa, não linear, é contada em terceira pessoa, pelo olhar cuidadoso do filho de Domingas, a índia-criada da Família, que busca, na verdade, saber quem é seu verdadeiro pai. A despeito disso, o menino passa os anos ouvindo e assistindo as histórias de Halib, o pai; de Zana, a mãe; e dos gêmeos Omar e Yakub, que de idênticos só tinham mesmo a aparências.

Os flash backs da narrativa fazem com que o passado seja presente e o presente seja resultado de um passado, que ora parece distante, ora parece muito próximo. A habilidade de Hatoum em ir e vir na trama e de misturá-la à história do Brasil e ao desenvolvimento de Manaus, é de uma maestria quase inacreditável!

A leitura flui, a história se desenrola e os sentimentos afloram a cada página virada: a superproteção e predileção de uma mãe, que foi capaz de tudo para poupar um de seus filhos acabou levando uma família inteira à ruína.

O narrador leva o leitor, quase que tendencialmente, a culpar Omar, o Caçula, por todo mal causado na família. Mas, aos poucos, vai mostrando que a amargura da rejeição de Yakub tornou-se tão perigosa quanto à selvageria do irmão mais novo.

Ninguém é inocente, ninguém é culpado, ninguém pode sair impune, ninguém pode ser feliz.

Os gêmeos viveram para se destruir e contaminaram a todos – inclusive a nós, leitores – com o pior do que há no ser humano: ciúme,  desprezo, rejeição, inveja, desejo, compulsão, excessos, violência, arrependimento, medo… Não resta nada de bom, nem para eles e nem para nós.

Li o livro em dois dias, mas parecia que tinha vivido este drama familiar de perto, por décadas. Fiquei esgotada e exacerbada com a beleza com que Hatoum desconstrói o amor familiar.

Estou animada com a minissérie e acredito que será um grande sucesso de público. E, quem sabe, a campanha #assistaaesselivro, não incentive mais ainda a leitura?

Fim de ano; fim da história!

365paginas

Feliz Natal (do nosso jeitinho!)

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